quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vida em Marte..Possível?


Será que já nos vimos antes?


É possível que provas da existência de vida em Marte já tenham sido coletadas em 1976. Quaisquer que sejam os resultados da Curiosity, espera-se que coloquem ponto final numa polêmica que se arrasta há 15 anos. Por Pablo Nogueira. Leia abaixo :
Sonda Curiosity em Marte
A CHEGADA DA SONDA Curiosity a Marte, em agosto, fez a humanidade voltar seus olhos com esperança para a superfície do planeta vermelho. Devido a sua envergadura – o jipe robô pesa mais de uma tonelada e está equipado com uma dúzia de instrumentos –, a missão foi saudada globalmente como o mais importante esforço empreendido para rastrear sinais de vida em outro planeta.
Dentre os oito objetivos científicos que os pesquisadores da Nasa pretendem investigar com os instrumentos da Curiosity, o que gera mais expectativa envolve a possibilidade de existência de compostos orgânicos no solo marciano, que indicariam a presença de vida em algum momento da história do planeta. Há quem acredite, porém, que as evidências de vida em Marte já foram obtidas três décadas e meia atrás, mas não nos demos conta.
Essa história começa em 1952, com o americano Gilbert Levin. Ele era um engenheiro que trabalhava na área de saúde pública e se interessou pelo problema da determinação da presença de micróbios em amostras supostamente contaminadas. Até então, o procedimento padrão consistia em inserir a amostra que se suspeitava estar contaminada com micro-organismos num caldo de cultura. Com o tempo, a atividade metabólica dos micro-organismos levava à produção de bolhas de CO2, oriundo da fermentação dos nutrientes que estavam no caldo. A observação levava à conclusão de que havia micro-organismos no caldo.
Levin teve a ideia de adicionar ao caldo de cultura moléculas de C14, um isótopo do carbono que é radioativo. Desta forma, quando os micro-organismos absorvessem os nutrientes do caldo de cultura e liberassem CO2 por meio da respiração celular, seria possível identificar, no gás liberado, sinais de radiação através de um contador Geiger. Este processo demandava menos tempo do que o necessário para que se observasse a formação das bolhas.
Em 1960, Levin sugeriu a Keith Glennan, um dos diretores da Nasa, que seu método fosse usado para detectar sinais de micro-organismos em outros planetas. Dezesseis anos depois, dois visitantes gêmeos chegaram a Marte com apenas um mês de diferença: as sondas Viking, cujo objetivo era fazer as primeiras observações da superfície marciana in situ.
Dentre os instrumentos que as sondas carregavam estavam três experimentos destinados a buscar, no solo, indícios da existência de formas de vida baseadas em carbono, e que respirassem oxigênio. Um deles foi chefiado por Levin e previa uma versão adaptada do método que ele desenvolveu: amostras de solo marciano seriam coletadas, inseridas num caldo de cultura recheado de C14 e monitoradas para detectar eventuais sinais de radiação.
Com a ajuda de uma pá robótica, as sondas coletavam 0,5 cm3 de solo. Cada  amostra era colocada num compartimento isolado, esterilizada e depois recebia a injeção de um líquido nutriente. Durante oito dias, o nível de radiação no compartimento era medido a intervalos entre 14 e 16 min. Depois, a mostra era descartada, uma nova era coletada e o experimento recomeçava. Em algumas rodadas, os instrumentos detectaram o que parecia ser sinais de gás radioativo vindos da amostra de solo, mas em outras não havia registro algum. Devido a essa disparidade, os resultados foram considerados inconclusivos.
As Vikings levavam consigo também dois outros experimentos destinados a buscar sinais de moléculas orgânicas no solo de Marte. Nada encontraram. Sem a existência de material orgânico, não parecia haver possibilidade de existir vida microbiana. Por isso, a posição adotada pela Nasa foi considerar que algum elemento desconhecido da química do solo marciano, de origem inorgânica, havia sido responsável por gerar o gás e levar o experimento de Levin a registrar um falso positivo. O próprio Levin, porém, nunca se conformou com essa interpretação. Desde 1997, começou a vir à carga publicamente, sustentando que seu experimento realmente teria encontrado sinais de atividade microbiana.
Mas o avanço da pesquisa em Marte trouxe importantes novidades. Baseando-se em análises do solo marciano realizadas pela sonda Phoenix em 2008, o americano Christopher Mccay, ligado ao centro de pesquisa da Nasa na cidade de Ames, reproduziu em seu laboratório o experimento da Viking destinado a buscar sinais de material orgânico, usando material coletado no deserto do Atacama (Chile). Em artigo publicado em 2011 no Journal of Geophysical Research, ele diz ter achado sinais de que a Viking encontrou, sim, sinais da existência de moléculas orgânicas, mas que o desconhecimento sobre a composição do solo de Marte impediu a interpretação correta dos resultados. Fez questão de frisar, no entanto, que não apoiava a ideia, sustentada por Levin, de que não apenas matéria orgânica, mas vida teria sido detectada pelos aparelhos da sonda.
O tamanho do interesse que a Nasa atribui a esta questão pode ser medido em quilos: metade dos instrumentos que equipam a Curiosity destinam-se a fazer análises de amostras do solo, a fim de confirmar ou refutar a existência de material orgânico no planeta vermelho.  Quaisquer que sejam os resultados, espera-se que o o jipe robô coloque um ponto final numa polêmica que se arrasta há pelo menos 15 anos.
Imagem: Nasa

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